Lesões Traumáticas Dentárias em Crianças

  

As lesões traumáticas dentárias são bastante comuns em crianças, principalmente naquelas em idade pré-escolar. Nesta fase, esforçam-se para engatinhar, sentar e iniciam-se as tentativas de andar, por isso a maior propensão. Estes acontecimentos costumam assustá-las bastante, bem como trazer grande preocupação aos pais. A fratura, deslocamento ou perda de um dente anterior pode prejudicar significativamente a fala, estética, alimentação e desenvolvimento do dente permanente da criança.

Geralmente, os dentes afetados são os anteriores superiores, pelo próprio posicionamento na cavidade bucal, sendo que aquelas crianças portadoras de mordida aberta anterior (ausência de selamento labial) são mais susceptíveis. É também comum a ocorrência de episódios repetidos de traumatismos, levando o mesmo dente a sofrer diversas injúrias. Mesmo que de baixa intensidade, estas injurias podem trazer algumas consequências ruins, como degeneração do tecido vivo existente dentro do dente.

É importante para os pais saberem que os dentes de leite também possuem raiz, assim como os permanentes. Elas não são visíveis quando o dentinho cai porque vão sendo reabsorvidas a medida que o dente permanente vai se formando dentro dos ossos maxilares. Por esse motivo, qualquer trauma no dente de leite pode trazer sérias consequências para os dentes permanentes. Dentre os tipos de trauma mais comuns estão a fratura (do dente ou de sua raiz) o deslocamento lateral, a intrusão (deslocamento para dentro do osso), a extrusão (deslocamento parcial para fora do osso) ou a avulsão (perda do dente).

Embora seja difícil prevenir estes tipos de trauma, os pais devem saber que o tempo decorrido entre o trauma e a busca por atendimento é um fator fundamental para a melhor recuperação e escolha do tratamento adequando. Este pode incluir a extração do dente, o tratamento de canal, o reposicionamento ou mesmo o reimplante (recolocação do próprio dente), em alguns casos. Quanto menor o tempo decorrido entre o trauma e o atendimento, mais amplas serão as possibilidades de tratamento. As consultas de retorno e acompanhamento por meio de radiografias são igualmente importantes para se avaliar a continuidade do tratamento e a possibilidade de consequências para os dentes que estão se formando.

Os pais nunca devem tentar mexer no dente ou região afetada, devendo apenas higienizá-la com gaze e água oxigenada 10 volumes ou solução a base de clorexidina, caso o atendimento não seja imediato. Esses cuidados devem se estender por uma semana após o trauma, repetindo-se três vezes ao dia.

A perda total do dente é um dos tipos de trauma que causa maior impacto psicológico nos pais e nas crianças. Devemos saber que o reimplante é possível em alguns casos, principalmente se o dente avulsionado for o dente permanente (para criança a partir dos 6 anos de idade, quando este dente começa a nascer). O reimplante de dentes de leite não é recomendado pelo risco de lesar o dente que está se formando. No entanto, existe uma série de fatores devem ocorrer para que este tipo de tratamento se torne viável.

 

 

São eles:



- Não manipular o dente em hipótese alguma

- Manutenção do dente em meio hidratado (soro fisiológico ou leite frio) até o momento do atendimento

- Tempo decorrido entre o trauma e o atendimento de até uma hora

- Avulsão de apenas um dente

- Acompanhamento com antibiótico e posterior tratamento de canal do dente

Seguindo-se estas condições, é provável obter-se sucesso com o reimplante, no entanto, as chances de insucesso ainda existem. Neste caso, alguns tipos de próteses dentárias podem ser usados até que a criança atinja a idade adulta e o término da formação óssea para que novas formas de tratamento sejam avaliadas.